PÂMELA TAUANA DE O. R. PEIXOTO

Artista Visual | Designer Gráfica

Artista visual nascida em Nova Serrana (MG), radicada em Belo Horizonte, desenvolve uma pesquisa poética e visual centrada nas culturas afrikanas, afro-brasileiras e afro-indígenas, com ênfase nas relações entre memória, ancestralidade, espiritualidade e identidade.

Sua pesquisa adota uma perspectiva antropológica para investigar a materialidade e a simbologia das culturas diaspóricas, compreendendo o corpo como um arquivo dinâmico e solo sagrado de memória. Em sua obra, o corpo é o ponto de encruzilhada onde a ancestralidade deixa de ser um conceito distante para se tornar presença vibracional e tecnológica, manifesta tanto no gesto da pintura quanto na precisão do código digital.

Transita entre pintura, colagem, arte digital, programação (arte generativa), e experimentações com diferentes suportes, criando obras que fundem materialidade e tecnologia como estratégia estética e política. A linguagem digital, em sua produção, não surge como ferramenta comercial, mas como expansão simbólica da pintura e da colagem.

Sua produção investiga a permanência de expressões culturais na contemporaneidade, buscando construir narrativas visuais que afirmem identidades historicamente atravessadas por silenciamentos.

Paralelamente à prática artística, atua como designer gráfica há mais de nove anos, experiência que atravessa sua construção visual e contribui para a elaboração de composições rigorosas e estruturalmente conscientes.

STATEMENT ARTÍSTICO

Minha prática como artista visual nasce do desejo fundamental de compreender o que permanece. Investigo a ancestralidade não como nostalgia ou símbolo estático, mas como uma tecnologia viva e em movimento, uma força que pulsa nos corpos, nas formas e nos gestos que atravessam o tempo e o espaço.

Minha pesquisa debruça-se sobre a transatlanticidade, observando como as culturas afrikanas, afro-brasileiras e afro-indígenas seguem reverberando na contemporaneidade sob uma perspectiva antropológica. Interessa-me o que resiste de maneira silenciosa, diluído na arquitetura urbana, nas memórias familiares e nas experiências cotidianas.

Transito entre a pintura e a escultura, utilizando a matéria como condutora de memória. Nas telas, a sobreposição da tinta acrílica e a profundidade da pintura a óleo fundem-se a pigmentos naturais, trazendo a densidade da terra para a superfície da imagem. Na tridimensionalidade, desenvolvo esculturas ancestrais em argila, onde o ato de moldar o barro é um retorno ao fazer manual e espiritual, evocando presenças que habitam o corpo e o território.

Nesse processo, a arte generativa e o código não surgem como ferramentas distantes, mas como extensões do mesmo impulso criativo. A linguagem digital opera como uma expansão simbólica da matéria — do pigmento e do barro —, permitindo-me reinterpretar o gesto em novos suportes.

Cada obra se desenvolve como um território onde matéria e memória se encontram. Mais do que representar heranças, procuro ativar presenças e criar espaços de encruzilhada entre o passado e o presente, entre a identidade e a reinvenção.

O que motiva minha prática?

Minha prática é movida pela necessidade de expressão e pela curiosidade profunda de compreender as origens. Sempre fui atravessada pela arte, mesmo quando trilhei outros caminhos, como a engenharia, foi a criação que permaneceu como linguagem inevitável. O que me motiva é pesquisar, conhecer, preservar e enaltecer culturas que foram fragmentadas ou mal compreendidas, e transformar esse conhecimento em imagem. Criar é uma forma de resguardar memória, reviver histórias e permitir que outras pessoas sintam essa conexão também.

Quais dúvidas ou questões estou investigando?

Minhas investigações partem de perguntas que se multiplicam. Como os símbolos atravessam civilizações? O que conecta culturas que parecem distantes? O que foi apagado e o que permaneceu? Ao pesquisar a cultura afrikana em suas diversas expressões, como por exemplo Kemet (antigo Egito), muitas vezes desvinculado do próprio continente afrikano no imaginário comum, percebo que as narrativas históricas foram fragmentadas. Minha pesquisa busca religar esses fios. Ao estudar diferentes culturas afrikanas e diaspóricas, encontro relações, continuidades e diálogos que revelam que essas histórias não são isoladas, mas interligadas por uma linha sutil e profunda.

Como isso se conecta às artes visuais hoje?

Minha prática dialoga com um movimento contemporâneo que busca reexaminar narrativas históricas e ampliar repertórios visuais. Ao trabalhar com referências afrikanas e diaspóricas como centro e não como margem, minha obra participa de uma reorganização simbólica no campo das artes visuais. Em vez de tratar a ancestralidade como tema ilustrativo, proponho que ela seja linguagem estruturante, capaz de gerar novas imagens, novas leituras e novas possibilidades de presença no cenário artístico atual.

Onde essa pesquisa quer chegar?

Quero consolidar um corpo de obra que estabeleça a ancestralidade como linguagem contemporânea ativa, não como passado distante, mas como fundamento do presente e possibilidade de futuro. Minha intenção é que minhas obras ampliem o acesso ao conhecimento, provoquem reconhecimento e criem experiências que emocionem e transformem. Desejo que meu trabalho circule, dialogue com diferentes públicos e se torne ponte entre pesquisa, arte e memória viva.

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